(Fonte: bookporn)
“Reconheço hoje que falhei, só pasmo, às vezes, de não ter previsto que falharia. Que havia em mim que prognosticasse um triunfo? Eu não tinha a força cega dos vencedores ou a visão certa [?] dos loucos… Era lúcido e triste como um dia frio.”
Fernando Pessoa - Bernardo Soares
Livro do Desassossego
A minha alegria é tão dolorosa quanto a minha dor.
—Livro do Desassossego (via livrariapessoal)
O tédio é, sim, o aborrecimento do mundo, o mal-estar de estar vivendo, o cansaço de se ter vivido; o tédio é, deveras, a sensação carnal da vacuidade prolixa das coisas. Mas o tédio é, mais do que isto, o aborrecimento de outros mundos, quer existam quer não; o mal-estar de ter que viver, ainda que outro, ainda que de outro modo, ainda que noutro mundo; o cansaço, não só de ontem e de hoje, mas de amanhã também, da eternidade, se a houver, e do nada, se é ele que é a eternidade. Nem é só a vacuidade das coisas e dos seres que dói na alma quando ela está em tédio: é também a vacuidade de outra coisa qualquer, que não as coisas e os seres, a vacuidade da própria alma que sente o vácuo, que se sente vácuo, e que nele de si se enoja e se repudia.
—Livro do Desassossego - Bernardo Soares (Fernando Pessoa)
(Fonte: calliekatze)
Tenho assistido, incógnito, ao desfalecimento gradual
da minha vida, ao soçobro lento de tudo quanto quis ser.
Posso dizer, com aquela verdade que não precisa de flores
para se saber que está morta, que não há coisa que eu tenha
querido, ou em que tenha posto, um momento que fosse, o
sonho só desse momento, que se me não tenha desfeito debaixo
das janelas como pó parecendo pedra caída de um vaso
de andar alto. Parece, até, que o Destino tem sempre procurado,
primeiro, fazer-me amar ou querer aquilo que ele mesmo
tinha disposto para que no dia seguinte eu visse que não
tinha ou teria.
—O Livro do Desassossego (via ninharias)
Ah, não há saudades mais dolorosas do que as das coisas que nunca foram!
—Livro do Desassossego - Bernardo Soares
