“It arrived, wrapped in brown paper. A Penguin Classics edition. The book stunned me with its beauty. Rabih was correct, of course: it was one of the great books of our times. I had not read anything quite like it before. It was like opening Joyce’s back door and finding another genius there in the garden. The Book of Disquiet. To try to describe it would be to diminish it.”
— Colum McCann, on Fernando Pessoa’s The Book of Disquiet in The Millions
(via classicpenguin:)
(Fonte: bookporn)
“Reconheço hoje que falhei, só pasmo, às vezes, de não ter previsto que falharia. Que havia em mim que prognosticasse um triunfo? Eu não tinha a força cega dos vencedores ou a visão certa [?] dos loucos… Era lúcido e triste como um dia frio.”
Fernando Pessoa - Bernardo Soares
Livro do Desassossego
A minha alegria é tão dolorosa quanto a minha dor.
—Livro do Desassossego (via livrariapessoal)
If I write what I feel, it’s to reduce the fever of feeling. What I confess is unimportant, because everything is unimportant.
—Fernando Pessoa, The Book of Disquiet (via theoldludwigvan)
(Fonte: yrie, via fuckyeahexistentialism)
Não, não é cansaço…
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar,
É um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo…
—Álvaro de Campos (via putmeinyoursupermarketlist)
O tédio é, sim, o aborrecimento do mundo, o mal-estar de estar vivendo, o cansaço de se ter vivido; o tédio é, deveras, a sensação carnal da vacuidade prolixa das coisas. Mas o tédio é, mais do que isto, o aborrecimento de outros mundos, quer existam quer não; o mal-estar de ter que viver, ainda que outro, ainda que de outro modo, ainda que noutro mundo; o cansaço, não só de ontem e de hoje, mas de amanhã também, da eternidade, se a houver, e do nada, se é ele que é a eternidade. Nem é só a vacuidade das coisas e dos seres que dói na alma quando ela está em tédio: é também a vacuidade de outra coisa qualquer, que não as coisas e os seres, a vacuidade da própria alma que sente o vácuo, que se sente vácuo, e que nele de si se enoja e se repudia.
—Livro do Desassossego - Bernardo Soares (Fernando Pessoa)
(Fonte: calliekatze)
Tenho assistido, incógnito, ao desfalecimento gradual
da minha vida, ao soçobro lento de tudo quanto quis ser.
Posso dizer, com aquela verdade que não precisa de flores
para se saber que está morta, que não há coisa que eu tenha
querido, ou em que tenha posto, um momento que fosse, o
sonho só desse momento, que se me não tenha desfeito debaixo
das janelas como pó parecendo pedra caída de um vaso
de andar alto. Parece, até, que o Destino tem sempre procurado,
primeiro, fazer-me amar ou querer aquilo que ele mesmo
tinha disposto para que no dia seguinte eu visse que não
tinha ou teria.
—O Livro do Desassossego (via ninharias)
Ah, não há saudades mais dolorosas do que as das coisas que nunca foram!
—Livro do Desassossego - Bernardo Soares
Le Livre de l’intranquillité,
de Fernando Pessoa, 1982.
O Livro do desassossego, fragment 163.
Nestas impressões sem nexo, nem desejo de nexo, narro indiferentemente a minha autobiografia sem fatos, a minha história sem vida. São as minhas Confissões, e, se nelas nada digo, é que nada tenho que dizer.
— Bernardo Soares, do ‘Livro do Desassossego’, Fernando Pessoa (via subsolo)
Esta velha angústia,
Esta angústia que trago há séculos em mim,
Transbordou da vasilha,
Em lágrimas, em grandes imaginações,
Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror,
Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum.
Transbordou.
Mal sei como conduzir-me na vida
Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma!
Se ao menos endoidecesse deveras!
Mas não: é este estar entre,
Este quase,
Este poder ser que…,
Isto.
Um internado num manicômio é, ao menos, alguém,
Eu sou um internado num manicômio sem manicômio.
Estou doido a frio,
Estou lúcido e louco,
Estou alheio a tudo e igual a todos:
Estou dormindo desperto com sonhos que são loucura
Porque não são sonhos.
Estou assim…
—Álvaro de Campos (Heteronym of Fernando Pessoa)
(Fonte: whatabouthaloeffect)
Sometimes I muse about how wonderful it would be if I could string all my dreams together into one continuous life, a life consisting of entire days full of imaginary companions and created people.
—Fernando Pessoa (via sweptupinwonder)
(via gwyon)
